Review: Senhor dos Anéis Card Game

Lord of The Rings LCG

O universo fantástico de J.R.R. Tolkien já tem anos de existência e ainda assim continua encantando as novas gerações facilmente. Como era de se esperar, a linha de produtos com temática baseada em Senhor dos Anéis e O Hobbit é incrivelmente vasta, sem deixar de fora os jogos de tabuleiro e cartas. Também produzido pela Fantasy Flight e distribuído no Brasil pela Galápagos Jogos, O Senhor dos Anéis Card Game é um diferente jogo do gênero que garante algumas boas horas de entretenimento.

Diferente dos demais jogos de cartas colecionáveis (CCG) que estão a disposição, como Magic: The Gathering e Yu-Gi-Oh, SdA tem o estilo de coleção dos jogos de cartas da Fantasy Flight, o LCG ou Living Card Game. Um LCG não possui pacotes de cartas aleatórias que os jogadores devem adquirir para conseguir cartas raras ou trocar, ele traz uma caixa principal ou Core com tudo o necessário para se jogar, incluindo quatro baralhos diferentes e diversas cartas fixas para as missões, no caso de SdA. Periodicamente, pacotes de expansão são lançados com cartas fixas, ou seja, não é necessário comprar vários pacotes e esperar a sorte fazer seu trabalho para que se tenha todas as cartas, basta comprar as expansões desejadas, sendo possível ter todas as cartas com um pacote de cada.

A caixa principal inclui, além das cartas, algumas fichas e marcadores. A arte das cartas é bem característica do cenário apresentado nos livros e de boa qualidade, apesar do material não ser tão impressionante. Apesar de ser mencionado que o jogo é para 1 ou 2 jogadores, não há nenhuma restrição para se jogar com mais do que isso, até porque as regras se adequam a quantidade de jogadores. Testei o jogo com 4 pessoas e a única complicação é a quantidade de cartas na mesa e ações a serem tomadas, que podem tornar as coisas um pouco confusas e lentas.

SdA é um jogo cooperativo, onde os jogadores controlam heróis e personagens icônicos do cenário e devem completar uma missão ou aventura, que é representada pelo baralho de desafios. Esse baralho é constituído de criaturas, maldições e localidades que, junto com as regras de cada missão, devem ser derrotados. As missões não tem uma ordem específica para serem concluídas são representadas por um conjunto de três cartas especiais, específicas para cada missão, que ditam as regras e pontuações necessárias para vencer. O baralho de desafios funciona de forma automática, as cartas vão sendo reveladas e adicionadas à mesa de acordo com o andamento do jogo, não sendo necessário um jogador para controlá-lo.

O baralho dos jogadores contém personagens, armamentos, habilidades e magias além de até três heróis que irão participar das missões. Cada jogador também possui um contador de ameaça, que varia de acordo com as jogadas tanto dos próprios jogadores, quanto do baralho de desafios. Caso o contador de alguém chegue até 50 ou todos os heróis dessa pessoa forem derrotados, ela será eliminada. O turno tem uma estrutura simples, porém algumas coisas pontuais são um pouco complicadas, sendo necessário entender muito bem o funcionamento do jogo para que ele siga sem problemas. A ordem em que as ações acontecem também pode parecer um pouco complexa no início, sendo necessário algumas partidas para fixá-las.

Após entender as regras, SdA torna-se um jogo bem divertido, até porque ele não é nem um pouco fácil. Cada turno tem que ser cumprido com as melhores táticas possíveis e com economia de recursos, pois nunca se sabe quando um grupo de Cavaleiros de Warg ou um Nazgul irá surgir para derrubar um herói com apenas um golpe. Além disso, quanto maior estiver o contador de ameaça, mais criaturas perigosas atacarão aquele jogador, então o tempo também é precioso. A dificuldade do jogo pode ainda ser alterada, retirando-se algumas cartas específicas, como é mencionado no livro de regras ou adicionando um pacote de expansão de Pesadelo, com cartas ainda mais perigosas para deixar o jogo realmente difícil.

Apesar da dificuldade (que acredito ser um ponto muito positivo) e da complexidade das regras, SdA é um jogo bem emocionante. Avançar nas missões e descobrir novas criaturas se torna progressivamente emocionante. A versão brasileira conta com 6 pacotes menores de cartas e uma expansão maior, voltada para o primeiro pedaço do livro do Hobbit, com as aventuras enfrentadas por Bilbo e sua companhia.

por Caio “Tyghorn” Victor

Review: Mice and Mystics

miceandmystics

Com tantos jogos eletrônicos girando por ai, é bem normal que as pessoas acabem esquecendo-se ou deixando de lado outros tipos de entretenimento, como os jogos de tabuleiro. Talvez um dos motivos seja o fato do gênero invocar na mente da maioria dos jogadores jogos simples, infantis ou os mais conhecidos, como War, Xadrex ou Banco Imobiliário. Não é necessário fazer muito esforço para descobrir que existem jogos de tabuleiro de excelente qualidade e alta complexidade por ai que garantidamente trariam boas horas de diversão. Desenvolvido pela PlaidHat Games e distribuído no Brasil pela Galápagos Jogos, Mice and Mystics se encaixa nesse grupo.

O tema é bem simples: Um grupo de heróis típicos de fantasia medieval, precisam livrar seu reino de uma feiticeira, porém são transformados em ratos. Mesmo nessa forma diminuta, eles ainda tem que cumprir sua missão, mas agora devem enfrentar perigos e desafios mais complicados, já que o próprio castelo está dezenas de vezes maior e cheio de seres que agora mostram-se perigosos, como baratas, centopeias, ratos inimigos e com certeza um dos mais perigosos: O gato do castelo.

O jogo é dividido em missões, que na realidade são capítulos de um livro de histórias. Como o título diz, esse livro conta a história da aventura e possui as regras específicas para cada missão. Essas regras incluem os blocos de mapa que serão utilizados (cada um representando normalmente um cômodo do castelo), objetivos para vencer e outras especiais como missões extras. Com um modelo desses já é possível notar que este é um jogo cooperativo, podendo ser jogado de 1 a 4 pessoas, onde cada jogador escolher um dos seis personagens, cada um com habilidades e equipamentos próprios: Colin, o príncipe guerreiro; Nez, o Faz-Tudo/Ferreiro; Tilda, a Curandeira; Lily, a Arqueira; Filch, o Ladrão e Maginos, o Mago.

As regras do jogo em geral são simples, e as jogadas não requerem um longo tempo de planejamento, pelo contrário, são bem claras e diretas, sendo necessário na maior parte das vezes uma rolagem de dados, onde as faces mostram números e símbolos. O que talvez possa retardar nas partidas iniciais é a quantidade de regras para situações específicas que devem ser lembradas ou consultadas no manual, porém depois de umas duas ou três partidas podem ser memorizadas sem dificuldade.

Por mais que tenha uma temática leve, o jogo não é tão fácil, já que uma das regras impõe uma espécie de tempo para os turnos. Caso os jogadores decidam perder tempo em um cômodo, esse “relógio” pode “estourar”, gerando novos inimigos, às vezes perigosos, podendo causar grandes problemas. Além disso, ao atingir o tempo limite, os jogadores simplesmente perdem a partida.

Os componentes são de alta qualidade e possuem uma arte bem característica e bonita. Mesmo contendo várias peças e cartas, a caixa felizmente contém alguns ziplocks para ajudar na organização. Com sua mistura de jogo de tabuleiro e RPG, Mice and Mystics com certeza é um jogo bem legal para quem deseja apenas alguns momentos de diversão ou quem prefere passar horas fazendo as várias missões.

por Caio “Tyghorn” Victor