As Classes de Dungeon Crawl Classics: O Camponês

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Olá, leitores! Aproveitando que Goodman Games está fazendo o financiamento coletivo da quarta tiragem de Dungeon Crawl Classics e que a Editora New Order está se preparando para trazer essa belezinha para terras brazucas, vamos fazer uma resenha de cada uma das classes desse rpg.

Hoje, nós vamos tratar do camponês. Como assim “Camponês”, você pergunta? Veja só, Dungeon Crawl Classics não um daqueles daqueles rpg de gente chique onde seu personagem já começa sendo um guerreiro ou mago. Aqui você tem que conquistar esse posto. Mas antes de explicar isso, vamos falar de algumas mecânicas.

Todo camponês de Dungeon Crawl Classics possui seis atributos determinados aleatoriamente no 3d6: força, agilidade, vigor, personalidade, inteligência e sorte. Comparados com Dungeons & Dragons, a força, agilidade e vigor desempenham papeis iguais aos clássicos força, destreza e constituição. A personalidade mistura aspectos da sabedoria (força de vontade, resistência a feitiços mentais, magias divinas) com o do carisma (persuasão, liderança). A inteligência é um indicativo de conhecimento e afeta a magia arcana, mas também pode ser usada para perceber detalhes do ambiente. A sorte, por fim, é um atributo completamente novo, e funciona como um indicador de quão bom é o relacionamento do personagem com as forças que regem o cosmo. Ela pode ser usada em jogadas completamente aleatórias — digamos, vencer um jogo de dados — mas também pode ser “queimada” para dar um bônus a outras jogadas. Por exemplo, um camponês desesperado para escapar de uma armadilha poderia gastar cinco pontos de sorte para dar um bônus de +5 a sua jogada de proteção. Além desses usos, a sorte também possui algumas utilidades a mais, que serão discutidas ao longo dessa série de posts. Os pontos de vida também são rolados aleatoriamente com 1d4, o que significa que, sim amiguinho, seu soldado com 18 de força pode sair com 1 pv!

Vou matar todos vocês assim que ganhar mais Pvs!

Vou matar todos vocês assim que ganhar mais Pvs!

Todavia, os atributos não são a única diferença entre os personagens de nível zero. Há duas mecânicas bastante interessantes para distinguir seus sacos de Pvs um dos outros: augúrios e ocupações.

Após rolar os atributos, o jogador deve jogar um d30 (sim, um d30! Dungeon Crawl Classics usa dados não convencionais.) para determinar seus augúrios. Os augúrios são coisas sugestivas, com nomes tais quais “Nascido no campo de batalha”, “Criança Selvagem”, “Sétimo Filho”, que fazem seu personagem somar o modificador inicial de sorte, seja a ele positivo ou negativo, a uma determinada atividade — dano com armas de corpo-a-corpo, número de línguas ou saves com contra venenos, por exemplo. Os augúrios são capazes de transformar um personagem medíocre em algo extraordinário (e vice-versa), e são um ótimo gancho se roleplay. Porque seu personagem com o augúrio “velocidade da cobra” tem um bônus de inciativa? Talento natural? Será que ele cresceu em um ambiente perigoso onde reflexos rápidos eram uma necessidade? Uma força maior — como o príncipe demônio dos desertos e serpentes Azi Dahaka — deu uma benção a ele? Talvez sangue de naga correndo nas veias?

Ou claro, ele pode ter sido picado por uma cobra radioativa.

Ou claro, ele pode ter sido picado por uma cobra radioativa.

Além do augúrio, o jogador também deve rolar um 1d100 para determinar a profissão e raça do personagem. Sim, isso mesmo! Do mesmo jeito que a vida não lhe deixou escolher onde ia nascer, ou qual ia ser a profissão dos seus pais, você não escolhe seus antecedentes e raça em Dungeon Crawl Classics. O dado determina qual é sua ocupação, e ela, por sua vez seu equipamento e periciais iniciais. As ocupações são variadas, de modo que há uma chance de você começar a carreira de aventureiro como um aprendiz de bruxo cheio de potencial, um soldado destinado a coisas maiores ou um glorioso queijeiro Halfling… Mas há uma chance igualmente boca de você começar como um fazendeiro de nabos, um coletor de esterco ou, que os deuses da ordem tenham piedade da sua alma, um elfo.

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Uma vez que tudo isso tenha sido feito, é hora dos jogadores levarem seus camponeses para o funil de personagens. O blog pontos de experiência explicou muito melhor esse processo, mas aí vai um resumo: na primeira sessão cada jogador cria algo em torno de dois a quatro personagens e parte em um moedor de carne em forma de aventura. Quem conseguir sobreviver sobe de nível e pode escolher uma classe. Simples, não?

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Não para os personagens, claro.

A grande beleza do funnel — além do humor negro digno de “Paranoia” — é que ele concilia necessidades mecânicas com o roleplay. De um lado, o funnel é uma excelente forma de eliminar  os pj mais fracos. Do outro, ver um camponês sobreviver contra todas as chances é capaz de fazer até os jogadores mais calejados se apegarem à personagens mecanicamente medíocres.

Talvez você esteja achando que esse método de criação de personagens muito arbitrário e cruel.

Palavra-chave aqui: Cruel

Palavra-chave aqui: Cruel”

E sabe qual é o pior? Você está certo. Mas esse é o ponto. Veja o que o livro tem a dizer:

“O que o Homem chama de livre arbítrio não passa das opções que sobraram após o destino e os deuses terem feito seus jogos. Caso seu personagem sobreviva até o primeiro nível, você pode escolher uma classe.  Seu livre-arbítrio é restringido pelo fatalismo dos dados; escolha uma classe que se adequa às suas forças e fraquezas determinadas aleatoriamente. As classes semi-humanas de anão, elfo e halfling só podem ser selecionadas por personagens cuja ocupação de nível zero era dessa raça”

Tá a jornada de “zero-a-herói” (ou no caso, de mendigo-a-mendigoassasino) sempre foi algo mais típico da fantasia tolkeniana do que da literatura pulp, e o camponês de DCC soa mais apropriado para representar crianças (como a fanzine Metal-gods of ur-haddad fez, inclusive), idosos ou enfermos do adultos saudáveis. Mas ainda sim, é uma mecânica bastante interessante de criação de personagens, que vale a pena ser testada ao menos uma vez.

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Pois bem pessoal, por hoje é só. No próximo post, vamos tratar do kit de primeiros socorros favorito de todo mundo, o clérigo! E repetindo, a Goodman Games está fazendo um financiamento coletivo para a quarta tirarem do Dungeon Crawl Classics. A essa altura, preço de 40 Obamas é possível adquirir uma versão cheia de enfeites do livro básico e mais cinco aventuras… E essa oferta só vai melhorar à medida que mais metras forem quebradas. Faça sua compra agora e ganhe um lindo cartão de natal para dar para aquela tia religiosa sua que acha que rpg é coisa do diabo.

“Eu te disse para não pedir XP ao Papai Noel, Halfling!”

Pois bem pessoal, por hoje é só. Gostou desse artigo? Dê uma olhadinha em nossa série sobre o folclore brasileiro em D&Dnossas interpretações sobre lovecraft, ou nossas analises do bestiário  do Old Dragon. Achou esse artigo uma m#rda? Tente os artigos de Renan BarcellosdeathaholicRebeca ou Tyghorn. E não perca nenhuma notícia seguindo nosso blog ou curtindo nossa página do face!

Victor Burgos

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