O Prenúncio Parte 2 – Rokugan Além do Livro Básico

A História de Rokugan Além do Livro Básico

A história do RPG a Lenda dos Cinco Anéis (L5A) está sempre em constante expansão e muito já aconteceu além do que é mostrado no livro básico. Esse post faz parte de uma série onde tenho contado os principais acontecimentos do Império Esmeralda a partir de onde o livro básico, publicado no Brasil pela editora New Order, parou. Para saber um pouco mais sobre o porque da sempre expansão da história de L5A, veja o post inicial. Caso não faça ideia do que é Lenda dos Cinco Anéis, que tal ler o post onde explicamos um pouco?

Veja também os outros posts da série!

A Guerra da Destruidora – O Prenúncio: Parte 2

Tsukai-sagasu

Uma Guerra de Três Fronts

Já haviam se passado cinco meses desde o início da Guerra da Destruidora, Rokugan estava em no Mês do Dragão de 1172 e o castelo ancestral da família Kuni, Shiro Kuni estava sob cerco das forças dos destruidores há semanas. No norte, o Exército de Fogo continuava a assolar as terras do Dragão com táticas de guerrilha. Já estavam alcançando as terras da Fênix, fazendo com que o clã de Shiba precisasse dividir-se entre os esforços de ajudar o Caranguejo e defender suas próprias terras.

Mas além desses dois conflitos nas fronteiras, uma terceira guerra era travada no interior do Império. Cada vez mais a praga se espalhava por Rokugan e inúmeros vilarejos já haviam sido inteiramente vitimados, com suas populações se transformando em zumbis e rasgando a carne do Império de dentro para fora. A Guerra da Praga, como ficou conhecida, minava as forças de Rokugan, exigindo que samurais patrulhassem os campos para eliminar a ameaça das abominações mortas-vivas.

A Queda de Shiro Kuni

O combate já estava no coração das terras do Caranguejo. Já faziam muitas semanas que Shiro Kuni estava sitiado, mas os bravos samurais de Rokugan resistiam. Dada a importância estratégica do local, o Caranguejo não estava sozinho. O Leão, o Unicórnio e a Fênix estavam entre as fileiras dos defensores que morriam e matavam todos os dias para defender o castelo. No entanto, os comandantes sabiam que aquela situação não perduraria por muito tempo. As forças dos destruidores nunca acabavam, enquanto as dos defensores pouco a pouco minguavam.  Um dos shugenjas Kuni levantou uma questão delicada. Naquele local estavam reunidos todos os pergaminhos que sua família havia armazenado durante gerações. Conhecimento vital para o Caranguejo combater as Terras Sombrias, séculos de estudos sobre feitiços defensivos, combativos e segredos dos Kuni sobre anatomia dos onis e dos homens. Tudo se perderia caso os destruidores triunfassem.

A solução foi dada por um shugenja Isawa, que garantiu que poderiam transportar os pergaminhos. Houve discussão, pois um dos Kuni não confiava que a Fênix ficaria sem espionar os segredos da família. No entanto, foi convencido a confiar, já que a alternativa seria a perda de todo o conhecimento reunido pelos shugenjas do Caranguejo.

Quando os destruidores penetraram as defesas de Shiro Kuni, metade dos pergaminhos ainda não haviam sido transportados pela magia dos shugenjas. Shiba Raiden logo quis cumprir o seu dever. Caso os shugenjas não fossem evacuados logo, trinta deles pereceriam nas garras do inimigo. A perda dos pergaminhos Kuni seria uma lástima, mas os shugenjas precisavam recuar. O velho Hida Otoya não podia permitir que o conhecimento de seu clã se perdesse dessa forma. O ritual ainda demoraria uma hora para ser completado, e apesar da situação mostrar que as defesas do castelo não aguentariam nem mesmo quinze minutos, prometeu a Shiba Raiden que os shugenjas teriam o tempo necessário para terminar o transporte dos pergaminhos.

Hida Otoya durante a queda de Shiro Kuni

Hida Otoya durante a queda de Shiro Kuni

A valentia de Otoya permitiu que um pequeno grupo de Unicórnios se esgueirasse para fora dos portões. Horiushi Nobane, talvez o último membro vivo da família Horiuchi, e seus colegas logo se colocaram em direção à criatura responsável pela queda das muralhas do castelo e da morte de inúmeros samurai. Era um monstro colossal, que causara problema desde sua chegada. O ser monstruoso tinha um aspecto maligno, com braços atrofiados e pernas agigantadas. Babava constantemente enquanto rugia, e de suas costas conseguia disparar massivos projéteis de carne e ossos que se incendiavam quando entravam em contato com a baba e caiam sobre Shiro Kuni causando grandes danos. O monstro era o grande causador da destruição do castelo.

Com um plano arriscado em mente, os cavaleiros Unicórnio partiram para um ataque surpresa contra o monstro. Muitos morreram naquela carga desesperada e quando a esperança já abandonava Horiushi Nobane, ele viu chamas esverdeadas levantarem do poço de baba inflamável que a criatura havia criado, obra do shugenja Iuchi Kota.

Logo as chamas infundidas com o poder da jade subiram pelo monstro, que gritou enfurecido. Nobane conseguiu se esconder enquanto o fogo consumia a criatura e uma imensa explosão se anunciava. Quando ele olhou novamente, já não havia nada do inimigo.

Nobane suspirou aliviado. Mas então viu o olhar paralisado do shugenja e olhou de volta para Shiro Kuni.

“As muralhas estavam caídas. O pináculo principal estava em chamas. Uma luz profana brilhava do átrio. O som de lamentos humanos chegavam aos ouvidos dos dois samurais.

Shiro Kuni estavam morrendo. Era tarde demais.”

Aproveitadores

Com a maior parte das forças do Leão marchando ao sul, um grupo de bandidos imaginou que os armazéns do Clâ estariam desprotegidos. No entanto, esses criminosos encontraram Matsu Mari que liderava um grupo de Ikomas e foram rechaçados. Acreditando que teriam amis sorte saqueando vilarejos nas bordas das terras do Caranguejo, o grande grupo de bandidos rumou para o sul, em números ainda maiores.

Matsu Mari reuniu um grupo de samurais para interceptar a ameaça, sabendo que o Caranguejo não teria como combater em mais um front. Todavia, quando alcançaram o bando na Floresta Shinomen, encontraram todos os bandidos mortos de forma brutal. Apenas um ainda vivia, o líder, que agonizava com um estandarte com o símbolo da Aranha enfiado em seu peito.

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Horuichi Nobane

Altruísmo Entre os Clãs

Com tantas crises a serem enfrentadas simultaneamente, uma onda de altruísmo foi compartilhada por todos os clãs de Rokugan. Não houve batalhas internas, ao menos longe das cortes, e clãs que não eram amigáveis entre si ajudaram-se sem exigir nada em troca. Sacrifícios eram feitos diariamente, tanto no front, combatendo os Destruidores, quanto na retaguarda, na luta para diminuir os efeitos da praga. Haviam, claro, alguns atritos nas fronteiras dos domínios dos clãs maiores, mas tais contendas e infrações foram rapidamente perdoadas frente a necessidades maiores.

Retirada e Novos Problemas

Com a queda de Shiro Kuni, as forças do Império Esmeralda precisaram recuar desesperadamente para longe do castelo. Neste processo, o exército de Rokugan acabou se dividindo, pois as necessidades da guerra fez com que soldados fossem precisos para desempenhar diversos papeis. Muitos Caranguejos se recusaram a abandonar a sua terra e deixar que os vilarejos em que passaram a infância fossem tomados por demônios gaijin. Muitos destes insatisfeitos acabaram se sacrificando, protegendo as outras unidades do exército que recuavam.

Já outros samurai foram alocados nas terras da Garça, onde deveriam descansar antes de retornar ao combate. Não foram poucos os que reclamaram das ordens de ficar fora do front enquanto o exército da Destruidora arrasava as terras do Império, no entanto os generais sabiam que era vital que seus soldados estivessem revigorados antes de entrar em combate, além de ser de extrema importância alocar forças para a manutenção e proteção dos recursos e mantimentos que seriam utilizados na guerra.

Contudo, não houve muito descanso para estes samurais. Logo descobriram que centenas de zumbis criados pela praga estavam em movimento e se aproximavam da cidade da Garça onde estavam alocados. Pior do que isso, as criaturas estavam diretamente entre eles e a rota por onde chegariam os mantimentos que deveriam receber. Precisariam fazer alguma coisa, mesmo esgotados da guerra e da viagem, do contrário, haveria racionamento de comida e equipamento em diversos segmentos do exército. Foi como se os zumbis, criaturas sem mente, estivessem deliberadamente agindo de forma a prejudicá-los. Ou como se estivessem sendo controlados por alguém.

E como Daidoji Yaichiro sabiamente pontuou:

– Em minha experiência, – Yaichiro disse colocando uma mão sob seu elmo – é melhor sempre esperar pelo pior.

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Veja também o site da New Order, que trouxe L5A para o Brasil

E se quiser ler contos traduzidos de Rokugan, só clicar aqui

Veja também os outros posts da série!

(todas as imagens são do card game Legend of the Fiver rings do Alderac Entertainment Group)

Por Renan Barcellos

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