Tradução do Livro 0 de Sombras de Esteren RPG – Parte 3

Shadows of Esteren é um RPG de terror medieval que se inspira no gótico e no horror para criar um mundo realista e cruel baseado na cultura celta. Entre outras inspirações dele se encontram Ravenloft, Guerra dos Tronos e também Nausicaä, do Hayao Miyazaki.

Nós do Dados Malditos escrevemos sobre uma pequena resenha, ou melhor, uma espécie de apresentação, sobre esse RPG e realmente esperamos que ele seja publicado no Brasil um dia.

O Livro 0 – Prólogo está sendo traduzido por Renan Barcellos e revisado por Juliana Fajardini

Link parte 1   link parte 2

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O Universo do Jogo

esteren_mapO mundo de Esteren é pouco conhecido por seus habitantes, que não podem estimar suas dimensões. Para começar, Sombras de Esteren se foca essencialmente em uma pequena parte desse vasto mundo; especificamente na península de Tri-Kazel, que se localiza a oeste de um território que é chamado simplesmente de O Continente. Mais sobre o Continente será revelado no futuro, mas no momento só serão feitas referências à ele, principalmente em relação ao seu impacto sobre os habitantes da península.

A Península de Tri-Kazel: Paisagens Belas e Severas

O panorama de Tri-Kazel é sobretudo montanhoso. A grande cordilheira das Mòr Roimh cruza a península de um lado a outro, terminando no leste com as gigantescas Montanhas Asgeamar, que formam uma parede natural praticamente instransponível. Do outro lado, os territórios ocidentais do Continente se extendem. Antiquíssimas florestas de múltiplos tons cobrem a maioria das planícies e planaltos da península. Elas são ricas em espécimes vegetais de todos os tipos e também abrigam várias espécies de animais. Em seus limites ocidentais, Tri-Kazel é banhada pelo Oceano Furioso, um mar atormentado pelos ventos no qual navegar é praticamente um suicídio. O clima da península é, portanto, particularmente gelado, ventoso e inconstante. Enquanto algumas regiões são férteis e razoavelmente protegidas, outras precisam resistir à neve, à geada e aos ventos oceânicos. Os humanos que vivem em Tri-Kazel frequentemente precisam enfrentar grandes dificuldades para sobreviver. Muitas comunidades isoladas têm apenas os Varigals como laço com o mundo exterior; sendo estes homens ou mulheres que são simultaneamente guias, mensageiros e arautos. Ainda assim, histórias e vestígios arqueológicos são testemunhas da presença da humanidade através dos milênios. Aparentemente, algumas tribos já haviam se espalhado pelas montanhas quando o Aergewin ocorreu: uma época ancestral quando os homens foram forçados a combater hordas de criaturas bizarras, algumas delas de tamanho monstruoso. Quanto a isso, tal ameaça ainda não foi completamente erradicada…

Os Três Reinos: Entre a Tradição e a Modernidade

As tribos ancestrais de Tri-Kazel foram unidas nove séculos atrás por três irmãos, homens excepcionais que deixaram seus nomes como seu legado. Dessa forma, três reinos, chamados de Gwidre, Reizh e Taol-Kaer, compartilham fortes laços e perpetuam a memória desses antigos heróis. O próprio nome da península, Tri-Kazel, refere-se — na língua antiga — a essa divisão e sua identificação coletiva, tanto em um nível geográfico quanto político. Os velhos clãs foram gradualmente desaparecendo para dar lugar a um sistema feudal, e as tribos Osag, em Taol-Kaer sul, são as únicas a perpetuarem os velhos costumes. Ainda assim, essas tradições não desapareceram completamente e continuam a ser passadas adiante por grupos e indivíduos que ainda mantêm um papel ativo na sociedade dos três reinos. Por isso, os bardos continuam sendo bem vindos e mantêm uma influência política significante nas classes dominantes. Em muitas vilas, os Dàmàthairs continuam criando as crianças da comunidade. Por fim, os Demorthèn, que desde tempos imemoriais têm sido os intermediários entre humanos e os espíritos da natureza, continuam a guiar o seu povo, embora os seus poderes tenham diminuído durante as últimas gerações.

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O Culto Demorthèn

Os Demorthèn são tanto guias espirituais dos Tri-Kazelianos quanto portadores de segredos que os permitem influenciar espíritos da natureza. Espalhados através da península, eles se dedicam a manter o equilíbrio entre as necessidades das comunidades humanas e a preservação da natureza que as cerca. Os poderes dos Demorthèn são extraordinários, mas eles se empenham em usá-los com moderação, em prol de respeitar a rigorosa filosofia que seguem.

Tri-Kazel e o Resto do Mundo

O Livro 1 – Universo se foca principalmente no reino de Taol-Kaer, mas seus vizinhos não são ignorados e muita informação sobre eles pode ser encontrada, de forma que podem ser facilmente utilizados em aventuras. Lançamentos futuros de Sombras de Esteren irão revelar mais sobre algumas questões já mencionadas e se focarão em territórios além da península de Tri-Kazel, bem como em alguns aspectos de Esteren dos quais nenhum de seus habitantes sequer suspeita da existência.

A Influência do Continente: Ciência e Religião

Até recentemente, Tri-Kazel mal mantinha laços com o Continente e não sabia nada — ou quase nada — sobre seus vastos territórios. Ao longo dos últimos dois séculos, contudo, as coisas de algum modo mudaram, mesmo que nenhum relacionamento verdadeiro tenha se estabelecido. Duas nações Continentais, a Confederação e a Grande Teocracia, chegaram a fazer contato com os habitantes dos três reinos. Rapidamente os Continentais ofereceram perspectivas completamente novas aos Tri-Kazelianos, bem como novas fontes de preocupação.

O Templo e a Religião do Deus Único

Os missionários da Grande Teocracia se esforçaram para converter o povo da península para sua fé que alega a existência de um Deus Único, o criador de Esteren e o senhor do destino do mundo. Desde que um dos Reis de Gwidre se converteu para o Templo, a instituição conseguiu se estabelecer em peso no reino. Isso é pouco apreciado em Reizh e em Taol-Kaer, especialmente desde a Guerra do Templo, que aconteceu há meio século atrás. Ainda que a situação tenha se acalmado bastante desde a guerra, um profundo abismo se criou entre os reinos, que antigamente eram cordiais entre si.

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Magiência: uma Nova Ciência

Em Reizh, os emissários da Confederação rapidamente despertaram entusiamo, graças às suas ferramentas miraculosas. Os Magientistas, uma ordem científica iniciada em conhecimentos extraordinários, provaram que suas máquinas poderiam melhorar muito a vida das pessoas. Graças à Magiência, água corrente, iluminação pública e outras maravilhas estão se tornando mais e mais comuns, pelo menos em Reizh e nas maiores cidades dos outros reinos. Contudo, a Magiência é inteiramente baseada no uso do Fluxo, uma forma de energia que vem da própria matéria, seja mineral, vegetal ou mesmo carne morta ou viva. O processo que leva à criação do fluido miraculoso que alimenta as máquinas dos Magientistas necessita de grandes quantidades de material bruto, e também gera poluição. Acima de tudo, o processo vai contra a tradição dos povos da península de respeito à natureza.

Uma Cultura em Perigo

Por muito tempo, tais tradições foram preservadas pelos místicos e sábios Demorthèn que, no passado, estavam presentes em praticamente todas as comunidades de Tri-Kazel. Hoje, isso não é mais verdade. Em Gwidre, os adeptos do Único estão determinados a suplantar as velhas crenças e fazem frente àqueles que tentam fazer o seu povo abandonar a fé verdadeira. Em Reizh e Taol-Kaer, onde os Demorthèn mantiveram uma forte influência, a situação é mais contrastante. O reino de Taol-Kaer é onde eles ainda são mais respeitados. Ainda assim, os Talkerinos não proíbem que os missionários do Templo entrem em seus territórios, e dependem mais e mais dos Magientistas, que acreditam que o homem pode e deve se colocar acima das forças da natureza.

Facções e Antagonistas

À primeira vista cada um dos três reinos parece estar fortemente ligado a uma das três ideologias principais: o monoteísmo do Templo, as tradições ancestrais dos Demorthèn e a ciência dos Magientistas. Até certo ponto, a realidade está de acordo com as aparências, mas cada uma dessas filosofias têm manifestações oficiais e não-oficiais em toda a península. Embora o Templo seja claramente dominante em Gwidre, a situação em Reizh e Taol-Kaer é muito mais complexa. As discussões que dividem os habitantes da península são tão ligadas a velhas rivalidades quanto a problemas de centralização política, acesso a recursos, desigualdade social ou a divergências ideológicas. Por fim, seria inadequado dizer que Tri-Kazel sofre de uma invasão Continental. Para falar a verdade, pesoas que nasceram dentro da Grande Teocracia ou na Confederação são muito raras em Tri-Kazel; foram principalmente suas crenças e conhecimentos que, ao serem absorvidos pelos tri-kazelianos, causaram mudanças na sociedade da península. A Magiência torna maravilhas tecnológicas possíveis, mas a fé do Templo pode invocar milagres absolutamente genuínos. Quanto aos Demorthèn, eles têm os seus próprios poderes, podendo invocar os C’maoghs, os espíritos da natureza.

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Esta tradução está sendo realizada por Renan Barcellos, que, junto aos outros membros da Equipe Reduto do Bucaneiro, fez parte da revisão no Aventuras Urbanas que está sendo lançado pela Jambô. Também trabalhou no Monstronomicon (do Reinos de Ferro RPG, ainda não lançado), tanto traduzindo junto ao resto da equipe, revisando todo o trabalho e coordenando o projeto.

Aqui está um glossário com as palavras chaves já traduzidas. Se tiver alguma sugestão de mudança é só falar =)

Tradução de Sombras de Esteren: Livro 0 – Prólogo de Renan Barcellos e Juliana Fajardini está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

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4 comentários sobre “Tradução do Livro 0 de Sombras de Esteren RPG – Parte 3

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