O abismo olha de volta: aprofundando seus vilões

Gendo_Ikari_(Rebuild) As velas se acendem, as cortinas descem. Passo após passo, o silêncio toma conta do grupo de heróis até então destemidos. Esse é seu vilão, o antagonista final, possivelmente o grande motivador do climax da história.

É também um dos NPCs mais importantes e difíceis de serem desenvolvidos.

De Darth Vader à Ra’s Al Ghul, um vilão tridimensional é capaz de encher a sua história de profundidade e fazer suas campanhas serem relembradas através dos sentimentos dos jogadores que interagiram com tão notável personagem.

Por isso, começo agora uma série de posts que visam ajudar a utilização de vilões em suas campanhas. E um lugar por onde eu gosto de começar é…

Motivação

A não ser que seu vilão seja uma espécie de manifestação da destruição, ele vai precisar de uma boa causa para fazer o que está fazendo. “Porque ele é mal” poderá ser uma desculpa convincente enquanto ele for visto de longe, mas todo oponente realmente memorável tem um passado ou ponto de vista que justificam os seus atos.

Segue aqui alguns conselhos para quando você for pensar nessas motivações.

O vilão é o herói de sua própria história. Frequentemente, aos olhos do vilão, ele está fazendo a coisa certa. Seja porque seu objetivo final é tão nobre que merece triunfar não importa o preço ou porque ele foi ensinado a vida inteira que aos mais fortes sempre devem caber os maiores direitos, o fato é que o vilão, no fundo, não se considera o vilão.

Ele pode até mesmo considerar que seus atos são horríveis e dignos da represália que os heróis preparam para ele, mas no fundo ele se vê como o protagonista de algo maior. Ele pode estar fazendo isso tudo para treinar os heróis para enfrentarem um mal maior, para mostrar o quão podre o reino se tornou com o novo rei.

Mesmo o Coringa tem suas loucas razões

Mesmo o Coringa tem suas loucas razões.

Há um vilão dentro de cada pessoa.Pense nas vezes que você refletiu como esse mundo seria melhor sem os humanos ou como você mudaria o sistema se fosse o imperador supremo do mundo. Ou naquelas onde você desejaria introduzir um pouco de caos só para ver no que dava. Amplifique esse momento e adicione o poder para conseguir isso, e você verá que muitas vezes um vilão pode ter sido uma pessoa normal, com um desejo e muito poder para consegui-lo. E falando em poder…

O poder muda a perspectiva. Pode parecer um clichê, mas estudos conduzidos na universidade de Berkeley mostram como a aquisição de poder tem potencial para afetar nosso comportamento em relação a outras pessoas, particularmente os níveis de compaixão. Isso não é um destino escrito em pedra e nem mesmo a norma, mas muitos vilões são pessoas inicialmente bem intencionadas que se tornaram ofuscadas pelo próprio poder; a sua motivação foi corrompida por ele.

Já teve em sua mesa aquele jogador que nos níveis altos começa a se gabar que se as pessoas da região não ajudarem por bem, ele pode matar ou dominar uma cidade inteira? Se não, saiba que eles existem, e muitos assim agem porque possuem agora uma forma poderosa de atalho.  Quem afinal gosta de lidar com pequenos problemas, quando tem um mundo inteiro lá fora a ser salvo?

Paralelamente, pensemos em Cthulhu. Uma criatura inimaginavelmente anciã, com conhecimentos e vivência que vão além de qualquer compreensão humana possível. Taxamo-lhe como cruel porque ele não parece dar a mínima para as vidas humanas, mas o que somos nós perto dele senão formigas ou, com alguma sorte, gado? E da última vez que chequei, o bem estar do nosso gado não era a prioridade da maioria da humanidade.

O que sou eu? Uma chama verde. Um brilho de luz. Uma explosão de força. O que sou eu? O poder. Se estou assustado? Sim. Mas o medo não importa agora.

“O que eu sou? Uma chama verde. Um brilho de luz. Uma explosão de força. O que eu sou? O poder. Se estou assustado? Sim. Mas o medo não importa mais.”

O objetivo do vilão pode ser apenas o outro lado de uma disputa de interesses, seja com os protagonistas ou com seus reinos. Por toda a história vemos que há sempre uma tentativa de cada um dos lados de uma guerra de demonizar o outro. Isso torna mais fácil para a consciência do povo e principalmente dos soldados, que terão que matar pessoas que em outras circunstâncias poderiam ser seus mais preciosos companheiros.

Pode ser apenas uma questão de lados opostos: O antagonista nasceu em um país, os protagonistas em outro. Os PJs veem toda a destruição e dor causado pelo inimigo, mas não veem a causada pelos seus aliados porque, afinal, os orfãos não irão se lamentar nos braços dos homens que mataram seus pais.

Fiquem atentos para o próximo post sobre vilões, que discutirá as diferentes formas de você apresenta-lo aos seus jogadores!

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