Elric de Melniboné – Literatura na Mesa.

A saga de Elric de Melniboné é um das obras mais influentes da fantasia. Se você já jogou algo com alinhamentos, multiversos ou espadas devoradoras de almas, você devê algo à obra de Michael Moorcock. E ai vão seis lições dessa obra para você usar na sua mesa.

1. Não tem problema começar no topo do mundo.

A maioria dos jogos de RPG tem um relação meio esquizofrenia com personagens iniciantes. Na teória/fluff, eles defendem que os PJs são especiais desde o nível um, mas na pratica/mecânica eles tem uma chance absurdamente alta de morrer nas garras de um gato. Isso é supostamente uma forma de replicar a jornada de zero a herói, mas veja só que engraçado: Na maior parte da fantasia do Apêndice N, os protagonistas já começam fortes.

Sejamos bem francos aqui: Elric ia ser repudiado tanto nas mesas Old School quanto em Jogos Point buy. Sério. “Um personagem que já começa sendo um grande espadachins e feiticeiros?” diz um mestre, lendo a ficha do último imperador de Melniboné. “E ainda por cima já tem uma fortuna digna de um dragão, um exército e acesso a todos e todos os itens mágicos de que precisa? Vá jogar a 4.0, muchkin!/Não tem desvantagens o bastante nesse jogo para isso!”. Mas a história dele fica mais chata por causa disso? Não! Por os PJs no todo do mundo – e fazer com que o mundo aja de acordo – pode ser uma experiência divertida.

O equipamento inicial de Elric.

O equipamento inicial de Elric. Artista não localizado.

2. Defeitos existem para serem superados…

Vejamos e convenhamos, jogadores que não tolera atributos baixos são um saco. Mas você sabe que é ainda mais chato do que isso? Um jogador que se contenta com esses atributos!

Elric é, em suma, o cara que ficou com 3 de força e constituição. Sob condições normais o cara mal é capaz de levar a própria mão. Mas é ai que tá: ele nunca se deixa cair nos horrores das condições normais. No começo da história ele usando varias poções magicas e encantamentos diariamente para poder se manter em condições saudáveis. E como se isso já não bastasse, depois ele arruma uma espada magica que, além de ser uma Vorpal que usou anabolizantes, é capaz de fornecer toda vitalidade que o último rei de Melniboné precisa. Desafios não existem para serem recusados ou aceitos, eles existem para serem superados. Se seu personagem sair com alguma deficiência, atropele ela! Guerreiro fracote? Comece a treinar. Ladino atrapalhado? Roube mãos melhores. Mago com o qi do Homer Simpson burro? Arrume uma tiara mágica. Clérigo tolo? faça um pacto com alguém! O que nos leva a…

Elric: não confundir com Eric.

Elric: não confundir com Eric.

3. E patronos existem para serem abusados.

Essa dica é para jogadores de Bruxos em d&d ou magos/elfos em Dungeon Crawl Classics. Em muitas mesas, há quase um tabu para pedir a intervenção mais direta desses patronos, como se o mestre fosse punir os jogadores por, pasme, querer dar bom uso ao seu trato. Agora, vamos comparar isso ao livro.

No mundo de Elric, há entidades poderosas rondando o mundo material. Elementais, demônios, senhores da ordem e coisas menos descritíveis vasculham as frestas do mundo em busca de almas, poder e tesouros. Elric, ao logo da história entra em contato com três dessas entidades, e veja a pequena lista de coisas que ele pediu, com sucesso, para:

Ser resgatado do mar.

Saber onde encontrar um inimigo.

Arrumar um barco mágico para chegar a esse inimigo.

Fazer com que esse barco mágico ande em terra firme.

Tocar fogo na cidade onde esse inimigo está.

Impedir que o inimigo apagasse o incêndio.

Seguir esse mesmo inimigo depois que ele fugiu para outro plano.

Ser transportado de volta ao lar depois disso tudo.

Elric pediu isso tudo sem receio? Não, claro que não – ele estava sabiamente apreensivo o tempo todo. Mas isso impediu ele de agir? Não! Se você vendeu a alma para  o diabo/cthulhu/fada do dente, cobre seu pagamento.

4. Elfos podem ser interessantes.

Na maior parte dos Rpgs, Elfos ou são um saco, ou tentam fingir que não são um saco. Mas nesse livro os melniboneanos mostram um terceira via: os elfos são mesmo um saco, e f*da-se você.

Em Elric de Melniboné, os elfos são um bando de metidos a magos, e eles se orgulham disso! Nada daquela superioridade passiva-agressiva do altos-elfos, nem sinal do “sou-mais-ecologicamente-correto-que-você” dos elfos da floresta ou das incontáveis tentativas de redenção das variações elfas. O Melniboneanos são um povo antigo, cultuador de dêmonios, cruel e depravado, mas que não pode ser chamado de decadente – se qualquer coisa, eles são mais brandos que seus antepassados. E diga que isso já não te deu ideias para aventuras!

Eu falei que eles também tem um exército de dragões? Via

Eu falei que eles também tem um exército de dragões? Via ChirisQuilliams 

5. Quando o assunto é magia, pense grande.

Magia, para ser magica, tem que ser rara. Não foi isso que seu mestre disse quando você pediu por uma arma +2?

Mas esse livro – e Eu, para ser franco – tem outra visão. Magia, para ser magica, tem que ser impressionante! Uma magia que limpa a mente de um inimigo. Sabê o que não é chato? Um espelho  gigante que suga as memorias de quem passa na cidade dele. Seja criativo com seus itens mágicos e com a descrição dos feitiços. E na duvida, pense grande. Que tal, ao invês de uma reles espada vorpal, uma cidade onde tudo é vorpal?

A espada stroombringer: por que vorpais são para camponeses.

A espada stroombringer: por que vorpais são para camponeses. Via Wkenney.

6. Alinhamentos de personagens importam… Só que não.

Em Elric de Menilboné os alinhamentos são, talvez mais do que em qualquer outra obra, forças palpáveis. Mas você acha que algum personagem da história fica se preocupando com isso, ou que alguns deus fica punindo seus servidores por terem ajudaram/atrapalhado uma velhinha a atravessar a rua? Não! Elric é de longe a pessoa mais honrada e misericordiosa do seu lar, e ele que acaba tendo que jurar lealdade aos senhores do Caos.

Alinhamentos não são traços de personalidade, conceitos, religiões ou mesmo ideais. Eles são times. Seu personagem trabalha para Zeus, Thor ou a Princesa Jujuba? Ordeiro! Ele serve Loki, Cthulhu ou o Bob Esponja? Caótico! Ele é um freelancer, ou tenta impedir que o Thor e Bob Esponja destruam o mundo em seu conflito? Neutro! Essa visão de alinhamentos, além de permitir interpretações mais naturais, pode servir de ganchos para diversas aventuras.

Pois bem pessoal, por hoje é só. Gostou desse artigo? Dê uma olhadinha em nossa série sobre o folclore brasileiro em D&D, nossas interpretações sobre lovecraft, ou nossas analises do bestiário  do Old Dragon. Achou esse artigo uma m#rda? Tente os artigos de Renan Barcellosdeathaholic ou Tyghorn. E não perca nenhuma notícia seguindo nosso blog ou curtindo nossa página do face.

Capa da edição Brasileira do primeiro livro da saga.

Capa da edição Brasileira do primeiro livro da saga.

Se você está interessado em conhecer mais sobre a saga do último imperador de Melniboné, a Editora Évora recentemente lançou o primeiro livro da saga, “Elric de Melniboné – Livro um – A Traição ao Imperador“, que pode ser encontrado em diversas lojas.Até a Próxima!

Victor Burgos

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