Eram os Deuses Fracotes? : Reinterpretando os Mythos

Hulk

(Esse é o primeiro artigo da série “Reinterpretando os Mythos”, onde o Dados Malditos oferece visões alternativas, ou ao menos incomuns, dos chamados mitos de Cthulhu)

Já notaram que para seres extraterrestres incompreensivelmente avançados, as criaturas de Lovecraft tem um péssimo histórico de vitórias? Em muitas obras derivadas, sejam elas filmes, jogos, rpgs ou livros, Cthulhu e Cia são mostrados como criaturas quase onipotentes que só podem ser derrotadas temporariamente por uma mistura de rituais complexos e armas nucleares e seus cultistas estão espalhados em posições de poder por toda sociedade.

Então o que os está impedido de ganhar? O que os impede de nos esmagar?

A conveniência narrativa, Duh. Lovrecaft prezava pelo realismo, e nada pior do que o fim do mundo para destruir essa sensação. Ademais por ser um escritor voltado para revistas pulps, havia limites de quão pessimistas suas histórias podiam ficar. Mas ei, que tipo de fã eu seria se não analisasse cada detalhe até que tudo se encaixe? Então ai vão cinco teorias para explicar a sobrevivência da humanidade:

  1. Teoria do Alinhamento

Cthulhu não nos devorou simplesmente porque não é a hora do jantar. As estrelas não se alinharam, os deep-ones ainda estão juntando forças, os mi-go ainda tem mais o que fazer e os cultistas ainda não viram os sinais.

Qualquer aparição dessas criaturas na terra não passa de uma tentativa vã de adiantar o que não pode ser antecipado. Os antigos só podem aparecer aqui, e ainda sim a grandes esforços, para lanches rápidos. As tentativas de evocação dos seus servos é o equivalente ritualístico a ficar olhando para o relógio para ver se o tempo passa mais rápido.

Talvez essa seja a teoria mais lógica e razoável dessa lista. (Porque essa é uma das coisas super-atuais que ainda fazem sucesso na internet, né? Artigos-listas e piadas de Chuck Norris?)

Chuck Norris: Cthulhu, eu escolho você! Por Heroforpain,

Chuck Norris: Cthulhu, eu escolho você! Por Heroforpain,

  1. Teoria da Sorte

Se a teoria do alinhamento é a mais logica, essa é sem dúvida a mais usada — mesmo que muitos nem estejam conscientes de estarem usado ela.

Pela teoria da sorte, o único motivo para a humanidade ter sobrevivido a múltiplos encontros com os horrores do cosmos é…  Nenhum. Sério, só estamos vivos por pura sorte. Talvez os deuses estivessem gripados, ou os cultistas ainda não tenham conseguido descobrir como pronunciar “Ph’nglui mglw’nafh Cthulhu R’lyeh wgah’nagl fhtagn” corretamente.

Mas pelos deuses, como eles estão tentando!

Mas pelos grandes antigos, como eles estão tentando! Via BBpress.

Mas toda sorte um dia acaba. A derrota é só uma questão de tempo. A qualquer momento (Leia-se: conto, filme, partida etc) os seres do cosmos poderiam ganhar… A despeito das aparências.

  1. Teoria do Astronauta

Relacionada à hipótese do alinhamento, essa teoria defende que os seres dos mythos perdem/empatam tanto pela mais futebolística das razões: eles não estão jogando em casa.

Me permita lembrar vocês de uma coisa: ficar em outro planeta não é brincadeira. Pense nas poucas viagens à lua que nossa espécie fez: além de todo os esforços e recursos necessários para chegar lá, ainda precisamos proteger nossos representantes com um traje especial só para eles poderem respirar lá.

Não parece, mas todos o horrores cósmicos visitando a terra se sentem assim.

Não parece, mas todos o horrores cósmicos visitando a terra se sentem assim.

Os seres dos mythos — ou ao menos alguns deles — sofrem de um problema similar. Esse planeta não é o ambiente ideal para a maioria deles, de modo que é necessário uma porrada de precauções/modificações biológicas/feitiços simplesmente para permitir que eles existam aqui. E do mesmo jeito que um astronauta é mais frágil que um humano normal — basta um furo na roupa e já era — os seres de Lovecraft também ficam fragilizados por essas bandas.

Isso também explicaria porque criaturas teoricamente pertencentes à esse universo — tais como os Seres Ancestrais, Os Shoggoths, byakhees e A Cor que Caiu do Espaço — tendem a se mostrar mais resistentes que as provenientes de outros universos/dimensões — Como os mi-go, Cthulhu e as crias de deuses externos.

  1. Teoria da Insignificância

Essa teoria tenta lembrar uma coisa que se perdeu em décadas de seguidores apaixonados, livros, filmes, jogos, animes e pesos de papel: o desconhecido. O ponto do horror cósmico não é ter medo de bichos grandes/com tentáculos, é ter medo da insignificância, do vazio do cosmos. O próprio Lovecraft disse: “Todas as minhas histórias se baseiam na premissa fundamental de que as leis, interesses e emoções comuns da humanidade não tem validade ou significância no vasto cosmos maior ( “… all my tales are based on the fundamental premise that common human laws and interests and emotions have no validity or significance in the vast cosmos-at-large.”)

Tá, a humanidade não passa de um zé mane cósmico preso em um grão de areia… Mas sabe quem mais é um zé mane cósmico preso em um grão de areia? Isso mesmo, Cthulhu!

Who lives in a lost city under the sea?

Who lives in a lost city under the sea? Via Dvandom

Segundo essa teoria a triste verdade é que todo mundo no universo — Cthulhu, Dagon, os Deep Ones, os humanos, insetos etc — estaria no mesmo barco de insignificância, apesar das aparentes diferenças de poder. Quê dizer, zero vezes um grilão ainda é zero.

Por isso que os humanos, esses vermezinhos, conseguem ter vitórias — mesmo que apenas temporárias — contra os seres, muito mais avançados que eles, e por isso que humanos em contrapartida podem ser mortos por micróbios. Nada no cosmos faz sentido, e ninguém está a salvo de nada.

Os únicos seres que realmente importariam seriam os Deuses Externos, os verdadeiramente “divinos” Azatoth, Yog-Shothoth e Shub-niggurath… Não fosse o fato deles serem descerebrados/apáticos pelos padrões humanos. Assim sendo, o único ser realmente digno de nota em toda criação lovecraftiana seria Nyarlathotep, que combina um intelecto e crueldade desumanos com o poder quase ilimitados dos… Não, pera, ele foi derrotado/banido/afastado por uma turba enfurecida com tochas em “O Assombro das Trevas”. Foi mal.

  1. Teoria “Cthulhu é um Bundão”.

É isso mesmo, meu chapa. Cthulhu é um bundão. E ponto.

Quer dizer, sério! Que tipo de idiota faz uma cidade no meio do oceano pacifico, cercado de água, uma das poucas coisas capaz de enfraquecer seus poderes? (Sim, a água limita os poderes psíquicos dos grandes antigos. Pode ler, está lá no “O Chamado de Cthulhu”). Mesmo em seus melhores dias o palhaço não conseguiu derrotar por completo os Elder Things, e olha que eles estavam em decadência! E como eu sou bonzinho, nem vamos falar de barcos.

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Apesar da tentação.

E os mi-gos, deep-ones e amiguinhos… Esse papo de raça superpoderosa que só não conquista a terra porque não quer não cola comigo não… Tá mi-gos, você podem varrer a humanidade na terra, e estão apanhado de um conspiração e deixando testemunhas escaparem por pura zoeira. Eu acredito. E vocês, deep-ones, tenho certeza que vocês têm mesmo mais população que a gente e não estão literalmente entregando seu ouro a pescadores em troca de filhos por desespero. E não esqueçam de continuar com essa história de hipnotizar shoggoths, deu tão certo para os Elder things, não foi?

E os cultistas, que bando de perdedores! Eles tiveram uns 10 milênios para converter a humanidade com seus “milagres” para seu lado e o que eles fazem… Nada! Só ficam rezando escondidos em seus cantos, fazendo sacrifícios que nunca levam a nada! Diabos em, “O Chamado de Cthulhu”, eles quase impediram que Cthulhu fosse acordado!

 Quer saber de uma coisa? A humanidade pode não ser grande coisa, mas estamos avançando enquanto vocês estão estagnados a milhões de anos. Passo a passo, descoberta a descoberta, estamos entendendo a natureza do cosmos, nos adaptando sem enlouquecer. Quer saber de uma coisa, Cthulhu? Durma bem, porque quando você acordar pode ter uma surpresa esperando você…

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“Humanos tolos, barcos não podem me matar!” “É claro que não! Porque você acha que te escolhemos como saco de pancadas?”

Pois bem pessoal, por hoje é só. Fiquem antenados para o próximo reinterpretando os mythos, onde vamos oferecer visões alternativas sobre a aparência de Cthulhu (Porque um cara com cabeça de polvo é tãããããoooo século XX). E gostou de me ver viajando na maionese sobre monstros? De uma olhadinha em nossa série sobre o folclore brasileiro em D&D ou nossas analises do bestiário  do Old Dragon. Achou esse artigo uma m#rda? Tente os artigos de Renan Barcellos  ou Tyghorn E não perca nenhuma nótica seguindo nosso blog ou curtindo nossa página do face.  Até a Próxima!

Victor Burgos

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