Afinal, como é “Lenda dos Cinco Anéis” RPG? – Parte 1

Banner da New Order Editora, que trouxe L5A para o Brasil

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A imagem do samurai como um guerreiro habilidoso, possuidor de uma técnica sem igual com sua mortal katana é uma imagem que existe no imaginário de todos que conhecem mesmo um pouquinho da cultura Japonesa. Claro que para RPGistas a imagem mítica desses combatentes orientais toma uma conotação completamente diferente e volta e meia algum jogador sente aquela vontade de criar um personagem samurai, ou ninja, ou pelo menos um que use uma katana para fatiar seus inimigos.

Não é de se surpreender, portanto, que muitos cenários com temática medieval e baseados em D&D possuam samurais entre suas fileiras. Tem toda a lógica das histórias fantásticas colocar um guerreiro ocidental que carrega uma montante lado a lado com um oriental sério e que utiliza sua espada de lâmina curva mais com precisão do que com força. Isso pode ser divertido, não se pode negar, e muitas ambientações medievais possuem as suas nações baseadas no oriente, como Kara-tur em Forgotten Reals ou Tamura, de Tormenta.

No entanto, no clássico estilo de Fantasia Medieval RPGística, o oriental é normalmente tratado como o exótico, o misterioso. Com a norma sendo a visão ocidental destes cenários, os samurais e os ninjas acabam sendo arremedos de sua ideia transportados para funcionarem em um mundo de cavaleiros, castelos e dragões, sem alcançar toda a potencialidade que a cultura da qual vieram têm para oferecer. Muitas vezes, sendo apoiados por um conjunto de regras que não auxiliam no que seria um épico japonês com morte e sacrifício e pouco servem para emular a letalidade dos duelos entre samurai.

Transpor para a mesa de RPG as histórias, os temas, cultura e até mesmo um pouco do sentimento oriental sobre a vida e a morte é justamente o que Lenda dos 5 Anéis busca alcançar.

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Os Cinco Anéis

As referências ao Japão começam pelo Título. O Livro dos 5 Anéis é uma obra escrita pelo lendário Miyamoto Musashi, onde ele fala sobre artes marciais. Apesar de discursar sobre a técnica da espada e como ela é apenas uma ferramenta para cortar os inimigos, ele também comenta sobre o que é ser um espadachim, sobre a postura e as virtudes de um guerreiro. Sobre como além do corpo é preciso treinar a mente. Ao longo dos capítulos do livro, cada um batizado como um elemento, Musashi comenta sobre a arte da espada, erudição, a natureza da capacidade humana e espiritualidade.

De forma semelhante, o RPG L5A trata não apenas de guerra, morte e combates, mas de outros aspectos do “ser” samurai. Do ser um guerreiro pertencente a uma casta superior devido a um direito divino, seguidor de um código virtualmente impossível de se seguir, de quem se espera cortesia, sabedoria, coragem indômita, respeito pelos ancestrais e cultura. Um samurai não é apenas uma criatura voltada para a guerra, é também um erudito, um artista, um político, podendo ser tão hábil com as palavras dentro dos perigos de uma corte quanto um companheiro seu é competente com uma espada.

Sobretudo, um samurai é alguém que respeita “o que veio antes”. Entende seu lugar no mundo, conhece a Ordem Celestial que dita o papel de cada ser da existência, conhece as tradições e todas as particularidades de uma sociedade estratificada em castas onde cada um precisa saber os seus deveres e obrigações, sob a pena de morrer, ou pior, ver toda a sua linhagem desonrada, caso se desvie do que é esperado.

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Rokugan, o Império Esmeralda

Rokugan é o palco principal de L5A. É onde se focam as grandes histórias do RPG e se baseia principalmente na sociedade do Japão feudal, se inspirando principalmente no Shogunato Tokugawa, mas recorrendo a inspirações em diversas eras da história japonesa e também de outros países orientais. O Império Esmeralda é uma terra vasta, banhado pelo oceano ao seu leste, com grandes cadeias de montanhas cercando e dividindo suas terras, com florestas alegres e florestas sinistras polvilhando seu território.

O clima é bem diversificado, com estações bem definidas, igualzinho ao Japão. Os invernos podem ser curtos, mas rigorosos, época da grande Corte de Inverno, os verões longos abafados, um tempo para guerra. Ao longo de planícies, os heimin – a casta camponesa – cultiva arroz e leva uma vida dura labutando dia a dia sob o sol para prover comida ao império, enquanto os eta – uma classe de impuros – lida com lixo, dejetos e cadáveres, sendo considerados como “não pessoas” até mesmo pelos heimin.

Dentro de templos, escolas e outros locais de cultura, shugenjas – homens e mulheres com o poder se conectar com os kami elementais – preservam a tradição e a cultura, guiando a religião, os rituais do dia a dia e as tradições. Papel que também acaba recaindo aos monges, enclausurados em suas abadias, viajando pelo Império ou até mesmo combatendo os inimigos de Rokugan, essa não-casta segue os preceitos do Tao de Shinsei, uma filosofia criada não por deuses, mas por um humano iluminado. Uma óbvia referência ao budismo.

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Obviamente, nesse sistema de castas semelhante ao do antigo Japão, não poderia faltar os samurai. Sendo a casta mais alta na sociedade rokugani, os samurai eram tanto guerreiros quanto nobres e governantes. Detentores da alta cultura, determinam a arte, a filosofia e a etiqueta do Império sempre de acordo com as tradições. Mais importante, são a única casta com direito de portar o daisho, o conjunto das espadas katana e wakizashi que representa os samurai, e marca o seu direito e dever de fazer guerra e lutar por sua própria honra.

De forma semelhante ao Japão, há divisões entre os samurai de Rokugan. O Kuge são o grupo que realmente pertence a uma nobreza. Descendentes diretos de heróis e dos fundadores do Império, é a nobreza detentora de terras e que ocupa os maiores cargos administrativos e políticos. Já o Buke, está abaixo desses nobres, sendo eles samurai que não possuem terras, mas que são vassalos afiliados a famílias importantes, tendo o direito de carregar o sobrenome de seu patrono, mas sem realmente ser de sua linhagem. Soldados, tenentes, pequenos governadores e magistrados, os samurai do Buke são o grosso das forças militares do Império.

Mas é claro que existe ainda alguém que está que acima de todos eles, que é realmente o dono de tudo o que existe em Rokugan e a quem todos devem lealdade e deferência. Acima de todos, existe o Imperador.

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Cosmologia e a Divindade do Imperador

Não é a toa que a dinastia do Imperador governa Rokugan. Mais do que escolhido por homens, os Hantei são descendentes de Deuses. Como na cosmologia shintoista japonesa, Amaterasu, a Lady Sol é mãe daquele que viria a ser o primeiro Imperador e também fundador do Império Esmeralda. É divino o direito de reinar sobre Rokugan e também sobre tudo o que existe. Sob ele, os samurais vivem, servem e morrem, porque esse é o direito e o dever da casta guerreira.

No entanto, Hantei I não foi o único Kami, filho da deusa Amaterasu. Junto ao Onnotangu, o Lorde Lua, a deusa teve outros filhos, que foram devorados pelo pai por motivos de ciúmes. Foi justamente Hantei que conseguiu derrotar em combate o seu genitor e libertou seus irmãos de sua barriga. No entanto durante o processo, acabaram caindo do Firmamento Celestial e aterrissando no Ninguen-do, o mundo dos mortais. No lugar que viria a ser Rokugan.

Despojados de sua mortalidade, mas ainda possuindo a centelha da divindade, os Kami acabaram assentando na região onde caíram, interagindo com a população bárbara local. Nesse processo, trouxeram a cultura e a sabedoria, instruindo os humanos sobre as leis do Firmamento, o ciclo espiritual e as verdades sobre a Criação e a cosmologia. No entanto, era preciso saber quem iria governar sobre todos os outros, e para isso os Kami fizeram um torneio entre si, o que ganhasse, bem como seus descendentes, seria o Imperador.

Um a um os filhos de Amaterasu duelaram entre si, mas no final foi Hantei que se mostrou vitorioso. No entanto, os perdedores não foram embora do que viria a ser o Império Esmeralda, mas prestariam lealdade ao irmão vitorioso e cumpririam seu dever para com o recém-criado império. Um império que tinha um direito divino de existir.

Assim os irmãos de Hantei fundaram os Grandes Clãs de samurai, selecionando humanos dignos para lhes servirem, carregarem o seu nome e prestarem juramento ao Imperador Hantei I.

No próximo post, falarei sobre os Grandes Clãs, sobre as ameaças à Rokugan e como jogar em Rokugan

Link para parte 2

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E se quiser ler contos traduzidos de Rokugan, só clicar aqui

Por Renan Barcellos

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15 comentários sobre “Afinal, como é “Lenda dos Cinco Anéis” RPG? – Parte 1

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