1d20 Monstros do Folclore Nacional que Você já Usou na Sua Mesa e Não Sabia (Parte 1).

Ah, o folclore nacional. Saci, curupira, iaras… quem não os conhece? Seja em lendas contadas por nossos pais, em seções matinais da encarnação mais nova do sitio do pica-pau amarelo ou em meio a livros de histórias fantásticas, todos nós conhecemos e amamos nossos mitos.

E mais importante, quem nunca os usou em sua mesa de rpg? Quem nunca teve o prazer de lutar contra um boitatá, interagir com a cuca ou receber a missão de… O que? Como assim você nunca os usou? Você também? Vocês todos?

Péra. Levante a mão quem já usou o folclore brasileiro em sua mesa. Repetindo, levante a mão quem já usou o folclore brasileiro em sua mesa. Levante a mão quem já usou o folclore brasileiro em sua mesa! Esse microfone está quebrado? Certo, então levante a mão quem nunca usou nenhum mito brasileiro em sua mesa.

Santa mãe do guarda.

Não, não. Vocês entenderam errado. Vocês já usaram os mitos daqui. E se eu dissesse que os monstros nacionais já estão dentro do Manual dos Monstros, ainda que disfarçados? Será que há um pouco da cultura brasileira escondida no coração do RPG mais popular de todos os tempos?

Não! É claro que não! Como podemos querer que estrangeiros — tirando o Christopher Kastensmidt, que os céus o abençoem — usem nossos mitos se nem mesmos nós o fazemos?

Mas querem saber de uma coisa? Pode não haver nenhuma criatura realmente mede in Brasil no D&D, mas tem uma porrada de monstros que parecem com os nossos. E vocês já usaram eles. E para provar que não estou de brincadeira ai vai o primeiro post (de dois) que mostra os vinte bichos do Manual dos Monstros da 5E mais parecidos com criaturas do folclore brasileiro.

  1. Boi-Bumba (Gorgon)

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Vamos lá, olhe para essa imagem e me diga que o Gorgon não é uma versão Heavy Metal do Bumba-meu-Boi.

Falando sério, a história do Bumba-meu-Boi tem tudo para cair bem em um RPG. Um escravo, a pedido de sua esposa gravida, mata um boi para ela poder comer língua. Depois, o boi é ressuscitado com a ajuda de curandeiros… Sendo que a aqui ele volta do mundo dos mortos como um horror metálico que quer vingança. Have fun!

  1. Boitatá (Remorhazes)

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Outra ligação fácil. Nada melhor que uma cobra de fogo (Ok, centopeia fervente) para representar outra cobra de fogo, não é?

O mito do boitatá, assim como tantos do nosso folclore, tem diversas versões. Na mais comum, ela é uma cobra que se alimentou de olhos por tanto tempo que de algum jeito entrou em combustão espontânea. Em mesas de Rpg, pode ser um tipo de serpente usada por magos como guardiã, ou contaminada pelo plano do fogo.

Opcionalmente, também é possível usar um dragão vermelho, uma salamandra ou um elemental do fogo como Boi-Tata.

  1. Boitatá (Will-o’-Wisp)

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Tem uma coisa engraçada sobre os mitos. Eles mudam. Originalmente o Boitatá — o Mbaetatá — era “apenas” uma luz que seguia os homens e os matava. Will-o’-Wisp em tudo, menos nome.

Até porque ambos foram provavelmente inspirados em combustão degases, mas isso é outra história.

  1. Cabeça Satânica (Beholder)
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Cabeça Satania na interpretação de Anderson Awvas

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Beholder na segunda edição de Ad&d.

Yes, we have beholders! Ou quase! Mais para cacodemons para ser mais preciso… Mas nós temos!

A Cabeça Satânica é uma criatura medonha, uma grande cabeça flutuante (às vezes rolante ou saltitante ou carregada por um ser sem cabeça no melhor estilo durahan) que sai por ai assustando e amaldiçoando as pessoas.

Evocativa de alguns vampiros asiáticos, a cabeça satânica possui uma natureza morta-viva ou demoníaca. Sendo facilmente usada em qualquer mesa. Então basicamente pegue o Beholder, descreva os raios oculares como maldições e dê o dia por encerrado.

  1. Capelobo (Devoradores de Mentes)

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Cabelobos são criaturas temíveis, uma mistura de homem, fera e tamanduá que sai pelas matas usando sua língua para chupar o cérebro de outros animais. E qual são os devoradores de cérebros mais famosos do D&D?

Certo, ninguém nunca disse que os capelobos tinham poderes psíquicos… Mas eu não me lembro de ninguém dizendo que eles não tinham poderes psíquicos. Ademais, é fácil arrumar uma justificativa. Os capelobos era uma raça feral, mas ganharam inteligência — e poderes mentais — após começar a chupar cérebros de seres inteligentes. Agora eles vivem nas bordas da civilização, caçando no silêncio da noite aqueles que ninguém vai sentir falta.

Opcionalmente, também é possível usar um jacalsomen ou ratosomem sem a habilidade de virar um humano como capelobos.

  1. Corpo Seco (Ghoul)

corpo-seco-2 Ghoul

A história é simples. Uma pessoa é tão ruim, mas tão ruim quem depois da morte, nem a terra quer aceitar ele. Por mais que tentem o enterrar, esse cadáver continua voltando a superfície até que… Algo ruim acontece.

Ghouls, com sua inteligência e natureza amaldiçoada, são os candidatos perfeitos para essa criatura.

Opcionalmente, também é possível usar outros mortos-vivos corpóreos para representar Corpos-secos assim como espantalhos.

  1. Cuca (Bruxa)

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Essa aqui dispensa explicações. Conceda um ataque de mordida à bruxa, aumente a CA (Escamas) e pronto, missão cumprida. Ou só aplique o modelo meio-dragão a ela.

Opcionalmente, também é possível usar um dragão jovem com a regra opcional de magias como cuca.

  1. Curupira (Sátiro)

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O curupira é uma das figuras mais emblemáticas e subutilizadas do nosso folclore. E assim como o Sátiro, ele possui uma natureza às vezes benigna, às vezes malevolente e às vezes simplesmente selvagem. Em mesas ele pode ser tanto aliado quanto oponente.

Opcionalmente, ele pode ser representando por outras criaturas feéricas.

  1. Diabinho-na-garrafa (Diabrete)

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Em verdade diabos, demônios e anjos em geral podem ser considerados como pertencentes ao “Folclore” nacional pela dominância do cristianismo no Brasil. Mas esse cara é diferente dos outros. Há lendas — e até rituais, para quem quiser se arriscar — de pessoas que depois de fazer um pacto com o coisa-ruim recebem um diabinho preso em uma garrafa ou baú. Esse diabrete é o encarregado de garantir que o acordo seja cumprido, que o mortal receba sua riqueza em vida e que o inferno receba sua nova alma assim que o pactuado falecer.

Nas mesas, o diabinho na garrafa pode servir tanto como inimigo ou item de interesse. Ou, no melhor estilo senhor dos anéis, os dois.

  1. Gorjala (Ciclope)
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Diga que eles não são parecidos!

O gorjala é um gigante, às vezes descrito como peludo, com presas de elefante e um olho só, que caça pessoas. E basicamente é isso. Se

vocês acharem algo que grite mais “Encontro aleatório” do que esse cara, por favor me avisem.

Opcionalmente, o gorjala também pode ser representando por outros gigantes.

Pois bem pessoal, por hoje é só. Fiquem antenados para a segunda parte desse artigo, onde o autor mostra o lado feroz das iaras e revela a sandworm brasileira seguindo nosso blog ou curtindo nossa página do face.  E se você gostou de me ver analisando monstros, dê uma olhadinha na nossa série sobre o bestiário  do Old Dragon. Até a Próxima!

Victor Burgos

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11 comentários sobre “1d20 Monstros do Folclore Nacional que Você já Usou na Sua Mesa e Não Sabia (Parte 1).

    • Obrigado pela opinião, Rodrigo! Eu até tente por monstros alternativos em alguns casos para evitar isso… Mas como você falou acho que é meio inevitável.

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  1. Pingback: 1d20 Monstros do Folclore Nacional que Você já Usou na Sua Mesa e Não Sabia (Parte 2) | dadosmalditos

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