Bestiário Old Dragon de A(asimar) a Z(umbi): Aasimar

Race_aasimar

(Esse post pertence à série “Bestiário Old Dragon de A(asimar) a Z(umbi)”, que visa analisar cada uma das criaturas presentes nesse Rpg)

Aasimar. Uma raça de humanoides deslumbrantes ligados de alma e sangue às forças do bem. Filhos de anjos, semeando a vontade dos céus por onde passam. Humanos tocados pelos planos mais elevados, emanando paz e harmonia do seu próprio ser. Descendentes de semideuses, combatendo as trevas e maldade para se equiparar aos seus ancestrais. Fagulhas de deuses perdidos no plano material, lapidando a própria criação em algo melhor.

Aasimar, uma das raças mais caxias da história do rpg, agora apresentadas em forma de monstros para você se vingar de todas as vezes que teve que aturar um paladino metido a certinho em sua mesa. Mas quem são esses caras de verdade?

Como tantas coisas do sistema D20, os Aasimar têm suas origens no cenário “Planescape” para a segunda edição do AD&D, onde eles surgiram com resposta meio-celestial aos meu-infernais tiefilings. Os detalhes e mecânicas variam um pouco de edição para edição, mas o básico permanece: uma opção bondosa perfeita para clérigos e paladinos. Todavia, apesar de algumas caraterísticas interessantes, os Aasimar raça tiveram que se contentar em viver à sombra dos seus irmãos metaleiros,

À primeira vista, Old Dragon parece seguir o padrão, os descrevendo como criaturas quase indistinguíveis de humanos (a despeito do cabelo flutuante da ilustração usada no bestiário) que emanam uma aura de paz. Eles, ainda segundo o livro, são majoritariamente bondosos a despeito de um ou outro Aasimar que acaba sendo corrompido.

Não que haja muitos Aasimares a serem corrompidos. No Old Dragon eles muitas vezes passam à vida sem se deparar com um igual, e dificilmente conseguem gerar filhos da mesma raça com humanos. O resultado final é que eles são tão raros que o nascimento de um é capaz de atrair fieis e vilões.

Quanto a sua origem, é dito que “Existem lendas que relacionam os aasimar ao cruzamento entre anjos e humanos”, Mas… anjos não aparecem — ou sequer são mencionados — em nenhuma outra parte do livro. O mais próximo que o bestiário chega disso são algumas menções soltas a deuses da ordem, e o modelo celestial, que segundo o livro representa “uma ascendência ancestral vinda do Paraíso”.

Antes de continuáramos com essa “resenha”, é preciso esclarecer uma coisa. Seguindo a tradição do OD&D, da saga do campeão eterno e do livro “Três Corações e Três Leões” o mundo de Old Dragon é dominado por um conflito eterno entre duas forças/ideais rivais. Todavia, ao contrário da maioria da fantasia, essas duas forças não são o bem e o mal, e sim a ordem e o CaOs… Que na maioria das vezes acabam sendo bem e mal por outros nomes, para ser franco. Depois essa discussão sobre alinhamentos pode ser aprofundada na seção “Destrinchando o Dragão”.

Por enquanto, o ponto é: O Aasimar são nominalmente “ordeiros”.  Ordeiros. O resto é secundário. E porque eu estou insistindo nisso? Vejam só. Poder não haver nenhum anjo no bestiário, mas há sim um tipo de ser ligado ao mundo dos mortos E à ordem.

Estou falando, claro, dos diabos. Das abominações que habitam os recantos mais profundos da criação, dividindo seu tempo infinito em conspirações uns contra os outros, torturando as almas dos mortos e sonhando em impor sua ordem tirana a todo o universo. O mais interessante é o monstro que vem depois dos Aasimar é ninguém menos que o próprio Abaddon. Será que eles estão colocados ao lado do próprio senhor do inferno por pura coincidência?

E antes que alguém pergunte, não estou defendendo que os Aasimar são farsantes. Na verdade, estou sugerindo algo pior.

As lendas estão erradas em Old Dragon. Há uma razão bem simples para não ter nenhum anjo ou menção concreta ao paraíso no bestiário. Nenhuma dessas coisas existem. Pelo menos não mais. Nesse mundo, há apenas o inferno e os diabos esperando as almas dos mortos.

Essa ideia possui antecedentes. No mundo real há alguns teólogos, cultos e artistas que pregavam o inferno como estando curvado à vontade dos céus. No d&d original os diabos eram Anjos que lutaram contra as forças do caos por tanto tempo e com tanta ferocidade que eles acabaram virando monstros. Talvez o mesmo tenha acontecido em Old Dragon, mas em uma escala muito maior.

Pode ser que no passado o inferno e o céu coexistissem em harmina. Ou melhor, que eles fossem a mesma coisa: um lugar onde os mortos podiam se redimir e aperfeiçoar. Os proto-diabos eram apenas a face mais dura desse lugar. Mas aos poucos, a medida que a guerra contra o caos aumentava mais e mais anjos foram tomando formas e atitudes mais implacáveis até que o inferno consumiu o paraíso como um câncer. Nesse sentido, as histórias de Aasimar caídos não são só um drama pessoal, são uma reflexão da situação do universo, uma tragédia microcósmica espelhado um desastre macrocósmico.

Por essa teoria, os Aasimar seriam uma relíquia viva de uma era passada, um dos raros resquícios da época em que o Paraíso e o Inferno conviviam em equilíbrio e o além era um lugar de redenção, e não de punição eterna. Se eles foram preservados, é porque eles são uma ferramenta útil.

Isso explicaria porque eles são tão raros. Os diabos nunca foram de ser muito explícitos. Não, eles são seres sutis, que usam toda bondade dos Aasimar para lentamente garantir seu domínio do plano material, ou para estripar focos de caos.

A despeito dessa mitologia complexa as estatísticas apresentadas para os Aasimar diferem em pouco do humanoide típico. Um dado de vida, CA e base de ataque baixas… A única caraterística de destaque deles é a capacidade de ver no escuro — como quase todo ser vivo nesse jogo.

Inclusive, falando em “visão” é dito na seção “utilidades” que os Tieflings — o equivalente demoníaco dessa raça — pagam bem pelos olhos dos Aasimar. O que é uma observação bastante… curiosa.

A implicação mais lógica é que os Tieflings possuem uma rivalidade com os Aasimar e usam os olhos dessa raça como troféus macabros. Mas ei, ninguém veio aqui para ler uma conclusão lógica e batida, então vamos ficar mais criativos.

Os Aasimar são descritos como possuindo um “leve brilho na íris”. Será… que eles têm uma ligação “leve” com seu plano natal. Os olhos são a janela da alma, e a alma dos Aasimar é o próprio inferno. Os Tieflings usam os olhos deles para contatar, espionar e tentar domar os planos baixos.

Por Victor Burgos

Anúncios

3 comentários sobre “Bestiário Old Dragon de A(asimar) a Z(umbi): Aasimar

  1. Não curti muito o old dragon em si, mas parece que o bestiário deles contém algumas ideias que podem ser utilizadas no meu sistema de preferência… Útil.

    Curtir

    • O Bestiário Old Dragon tem muitas sacadas boas, coisas que dá para passar fácil fácil para qualquer sistema, como ecologia, utilidades e tamanho dos monstros. O Guia de Armadilhas deles também é uma ótima pedida para mestres mais… Inventivos.

      Curtir

  2. Pingback: Bestiário Old Dragon de A(asimar) a Z(umbi): Abbadon | dadosmalditos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s